O Governo angolano formalizou, esta quarta-feira, o envio de 163 profissionais de saúde para formação especializada no Brasil, no âmbito do Projecto de Formação de Recursos Humanos para a Cobertura Universal de Saúde em Angola (P180631), financiado pelo Banco Mundial.
O acto oficial de acolhimento e orientação dos bolseiros decorreu no Complexo Hospitalar General do Exército Pedro Maria Tonha “Pedalé” e foi presidido pela Ministra da Saúde, Dra. Sílvia Paula Valentim Lutucuta, que considerou o momento “histórico” para o sector da Saúde em Angola.
Das 1.291 vagas disponibilizadas pelo Governo da República Federativa do Brasil, foram seleccionados 800 profissionais. Destes, 163 partem para o Brasil no próximo dia 21 de Fevereiro.
Os bolseiros irão frequentar estágios de curta e longa duração (até quatro anos), programas de especialização, mestrados e doutoramentos, em áreas consideradas estratégicas para o reforço e modernização do Sistema Nacional de Saúde.
Na sua intervenção, a Ministra destacou que o envio simultâneo deste número expressivo de quadros representa um avanço significativo na execução do plano que prevê a formação de 38 mil profissionais em cinco anos, sendo apenas 20% formados no exterior.
“Vocês são os escolhidos. Têm a responsabilidade de absorver conhecimento suficiente para formar outros. Serão formadores de formadores”, afirmou.
A governante sublinhou igualmente que o investimento na qualificação integra o esforço do Executivo liderado por Sua Excelência o Presidente da República, João Lourenço, que já promoveu a admissão de mais de 46 mil profissionais de saúde por via de concursos públicos, reforçando simultaneamente as infra-estruturas e valorizando o capital humano do sector.
Num discurso marcado por conselhos práticos e apelos à ética profissional, Dra. Sílvia Lutucuta incentivou os bolseiros a representarem Angola com dignidade, disciplina e elevado sentido patriótico.
“Levem a bandeira do nosso país. Se ninguém tiver saudades vossas quando regressarem, é porque não fizeram um bom trabalho”, advertiu.
A Ministra partilhou ainda a sua experiência enquanto antiga bolseira do Estado, defendendo que o sucesso académico e profissional no exterior exige humildade, respeito pelas instituições, espírito de equipa e dedicação plena à aprendizagem.
Dirigindo-se particularmente aos enfermeiros, reforçou o papel central da enfermagem nas equipas multidisciplinares, considerando-a “a espinha dorsal do sistema de saúde”.
A cerimónia contou com a presença do coordenador e gestor técnico do projecto, Prof. Doutor Job Monteiro, do coordenador e representante do Banco Mundial em Angola, Dr. Humberto Cossa, do Director Geral do Complexo Hospitalar Pedro Maria Tonha Pedalé, Dr. Albano Eugênio, bem como do especialista para aquisições, Dr. Álvaro André do Banco Mundial, além de especialistas das áreas de formação, aquisições, monitorização e avaliação, violência baseada no gênero , auditoria interna, contabilidade, finanças, comunicação, informação e gestão de conhecimento, bases de dados e consultores técnicos de formação, aquisições e de direcção .
Durante a sessão, foram apresentadas as normas do programa, direitos e deveres dos bolseiros, bem como aspectos ligados à gestão de riscos ambientais, sociais e de Violência Baseada no Género (VBG).
A especialista em salvaguardas ambientais, Dra. Isabel Gria, abordou matérias relacionadas com acidentes de trabalho e o código de conduta, enquanto o especialista em VBG apresentou recomendações centradas na prevenção da violência em contextos formativos nacionais e internacionais.
O especialista financeiro, Dr. Adão Pascoal, esclareceu que cada bolseiro receberá um subsídio mensal para despesas de subsistência, podendo ainda beneficiar de um acréscimo mediante a apresentação de comprovativo de contratação de seguro de saúde.
“Não podemos manchar a reputação do nosso país. Comportamento 21 , acima de 20”, alertou a ministra.
Na ocasião, Dr. Humberto Cossa agradeceu o convite para participar no evento e manifestou satisfação com o progresso do projecto, afirmando que a iniciativa está no bom caminho para alcançar a meta de formar 38 mil profissionais de saúde.
“O projecto está a andar muito bem. É um investimento que faz sentido para Angola e para a melhoria dos cuidados de saúde”, afirmou, elogiando o empenho do Ministério da Saúde e da respectiva Unidade de Implementação do Projecto.
O programa estabelece que os beneficiários devem regressar ao País e permanecer no sector público por um período mínimo definido contratualmente. O incumprimento implica a devolução dos montantes investidos pelo Estado.
Os 163 profissionais são provenientes de várias províncias do País, nomeadamente Cabinda, Zaire, Uíge, Luanda, Benguela, Huambo, Huíla, Bié, Moxico, Lunda Norte, Lunda Sul, Cuando Cubango, Cunene e Namibe, reflectindo o carácter nacional e inclusivo da iniciativa.
No final da cerimónia, realizou-se uma sessão de perguntas e respostas, durante a qual foram esclarecidas dúvidas apresentadas pelos bolseiros. As questões foram respondidas pela ministra Dra Sílvia Lutucuta e pelo coordenador e gestor técnico do projecto, Dr. Job Monteiro.
Para o Ministério da Saúde, esta iniciativa representa mais do que um programa de formação académica: simboliza um compromisso estruturante com a melhoria da qualidade dos cuidados, a valorização dos profissionais e o fortalecimento sustentável do Sistema Nacional de Saúde.
Com a partida marcada para 21 de Fevereiro, Angola reafirma a sua aposta estratégica na qualificação dos recursos humanos como pilar essencial para garantir saúde para todos.