Angola e Moçambique reforçaram, esta Segunda-feira, 6 de Julho, a cooperação bilateral no sector da saúde, com enfoque na formação de recursos humanos e no fortalecimento dos sistemas nacionais de saúde, durante uma missão técnica moçambicana realizada em Luanda, no âmbito do 1.º Workshop Nacional sobre Comunicação em Saúde.
A delegação moçambicana foi chefiada pelo director nacional adjunto da área de Formação do Ministério da Saúde, Naftal Matusse, e integrou ainda Bernardina de Sousa, Gilberto Manhiça, Napoleão Viola, Dirceu Mabunda, Francisco Langa e Raúl Piloto. A missão teve como principal objectivo conhecer e partilhar a experiência angolana na formação de profissionais de saúde.
Do lado angolano, os trabalhos foram conduzidos pela ministra da Saúde, Dra Sílvia Paula Valentim Lutucuta, acompanhada pelo secretário de Estado para a Saúde Pública, Dr. Carlos Alberto Pinto de Sousa, pelo secretário de Estado para a Área Hospitalar, Dr. Leonardo Inocêncio, pelo director do Instituto de Especialização em Saúde, Neurologista Dr. D, Jamel Kitumba, pelo director do Gabinete de Intercâmbio e Cooperação, Dr. Júlio de Carvalho, e por especialista da UIP- PFRHS.
Na sua intervenção, a ministra da Saúde defendeu que o sucesso das reformas depende da liderança nacional e da apropriação dos projectos pelas instituições angolanas.
"Quero começar por dizer que este projecto deve ser assumido por todos nós. Apropriem-se dele, porque só terá sucesso se for verdadeiramente um projecto do país."
Sílvia Lutucuta explicou que Angola optou por um modelo de implementação baseado na valorização de quadros nacionais, contrariando a prática de recorrer sistematicamente a consultores estrangeiros.
"Durante muito tempo existiu a ideia de que determinadas áreas só podiam ser conduzidas por consultores internacionais. Nós decidimos seguir um caminho diferente, apostando em profissionais angolanos com competência, experiência e compromisso."
Segundo a governante, a equipa do projecto integra especialistas nacionais nas áreas de coordenação, comunicação, monitoria, aquisições, gestão e salvaguardas sociais, recorrendo apenas a um consultor estrangeiro numa área onde não existia capacidade técnica disponível no país.
A ministra sublinhou ainda que esta opção permitiu reforçar a liderança institucional do Ministério da Saúde e garantir maior controlo sobre a execução das iniciativas.
"Os projectos têm de ser nossos. Somos nós que conhecemos os desafios do nosso sistema de saúde e devemos liderar as políticas, as estratégias e a sua implementação."
Sobre os resultados alcançados, informou que o Projecto de Formação de Recursos Humanos para a Cobertura Universal da Saúde prevê formar cerca de 38 mil profissionais até 2028, entre médicos, enfermeiros, técnicos e gestores, dos quais aproximadamente 19 mil já beneficiaram de acções de formação ou encontram-se em processo de especialização.
A ministra destacou ainda que cerca de 80% da formação decorre em Angola, através da mobilização de docentes nacionais e internacionais, permitindo reduzir custos e aumentar significativamente o número de profissionais capacitados. Apenas uma parte da formação é realizada em países parceiros, como Brasil, Portugal e Cuba, para complementar competências especializadas.
O modelo angolano aposta igualmente na descentralização da formação, através da criação de polos formativos e do reforço da capacitação nos municípios, privilegiando áreas como Medicina Geral e Familiar, Saúde Comunitária, Emergência Médica, Cuidados Intensivos, Dermatologia, Enfermagem Médico-Cirúrgica e Cirurgia Básica.
A governante destacou ainda a necessidade de reforçar a formação de técnicos e enfermeiros em procedimentos cirúrgicos essenciais para garantir maior cobertura dos blocos operatórios nos municípios e contribuir para a redução da mortalidade materna.
A delegação moçambicana manifestou interesse particular na experiência angolana em Medicina Geral e Familiar e na formação de técnicos de cirurgia, considerando tratar-se de um modelo com elevado potencial de adaptação à realidade de Moçambique.
Segundo Naftal Matusse, a missão pretende compreender em profundidade a organização do projecto angolano para apoiar a implementação de um programa semelhante no seu país, privilegiando igualmente a formação de especialistas dentro do território nacional.
A missão técnica incluiu visitas ao Instituto Nacional de Investigação em Saúde, à Central de Compras e Aprovisionamento de Medicamentos e Meios Médicos, a unidades hospitalares e a outras instituições do Sistema Nacional de Saúde, permitindo aos especialistas moçambicanos conhecer de perto o funcionamento do modelo angolano.
A cooperação entre Angola e Moçambique constitui mais um exemplo de cooperação Sul-Sul orientada para o fortalecimento das capacidades nacionais, a valorização dos recursos humanos e a construção de sistemas de saúde mais resilientes, sustentáveis e adaptados às necessidades dos países africanos.
Fonte: GTICI – Ministério da Saúde, Luanda, 6 de Julho de 2026